sexta-feira, 29 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Vaidade
Vaidade Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...
Florbela Espanca
terça-feira, 21 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
O meu objectivo é compreender o amor. Sei que estava viva quando amei; e sei que tudo que tenho agora, por mais interessante que possa parecer, não me entusiasma. Mas o amor é terrível, tenho visto amigas minhas a sofrer, e não quero que isso me aconteça.
Elas, que se riam de mim e da minha inocência, agora perguntam-me como é que me consigo dominar tão bem. Sorrio e fico calada, porque sei que o remédio é o pior do que a própria dor : Simplesmente não me apaixono mais. A cada dia que passa, vejo com mais clareza que os homens são frágeis, inconstantes, inseguros, surpreendentes...
Embora o meu objectivo seja compreender o amor, e embora sofra por causa das pessoas a quem entreguei o meu coração, vejo que aqueles que me tocaram a alma não conseguiram despertar o meu corpo, e aqueles que tocaram o meu corpo não conseguiram atingir a minha alma.
Paulo Coelho, "Onze Minutos"
terça-feira, 7 de junho de 2011
Quando perdemos alguém próximo dizem que devemos sentir a perda, e quanto mais próximo mais dor nos deverá causar essa ausência…dizem…
E se não sentirmos exactamente como dizem que deveríamos?
E se nos preocuparmos mais com o bem estar de quem fica?
E se dentro de nós guardarmos boas memórias sem verter uma lágrima que seja?
Será isto viver desprendido?
Será isto não ter coração?
Será que a vida tornou o meu coração mais duro?
Pois…indago-me.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Outra perspectiva
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin
aniversário
Papi faz hoje anos.
Só posso desejar que este dia se repita por muitos mais.
E hoje saboreio memórias de infância...
sexta-feira, 3 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
...lágrimas...
Esse rio que goteja
suas águas
de alegria e tristeza
segue pelos sulcos
que o tempo talhou.
Também essas águas
de rio salgado
moldam a máscara,
Desenham o que sou...
Carlos Henrique Rangel
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Um dia destes faço um! Tenho saudades de não ter onde lavar as mãos depois de comer, de ter esquecido os copos plásticos e os guardanapos, de ter entornado o sumo de laranja no cesto e em cima do pão,...e de estar refastelada à sombra de uma qualquer árvore frondosa... um dia destes é ver-me de cesto e chapéu de palha!
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
eu não diria melhor...
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Nada nos falta, porque nada somos
Ao longe os montes têm neve ao sol,
Mas é suave já o frio calmo
Que alisa e agudece
Os dardos do sol alto.
Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
Não esperamos nada
E temos frio ao sol.
Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
E aguardando a morte
Como quem a conhece.
Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Se tivesse uma filha, acho que seria (quase) tal e qual a da foto...
quarta-feira, 25 de maio de 2011
SOBE O PANO
Onde se solta estrangulado grito
Humaniza-se a vida e sobe o pano.
Chegam aparições dóceis ao rito
Vindas do fosso mais fundo do humano.
Ilumina-se a cena e é soberano,
no palco, o real oculto no conflito.
É tragédia? É comédia? É, por engano,
O sequestro de um deus num barro aflito?
É o teatro: a magia que descobre
O rosto que a cara do homem cobre,
E reflectidos no teu espelho - o actor -
Os teus fantasmas levam-te para onde
O tempo puro que te corresponde
Entre horas ardidas está em flor.
Natália Correia
terça-feira, 24 de maio de 2011
um dia...
um dia, quando me for embora, não quero deixar para trás senão pétalas. Quero deixar amor na memória, mas daquele amor que faz com que as pessoas sejam melhores e mais felizes...não quero que me lembrem com saudade, com dor, com mágoa; quero que me lembrem num sorriso de alegria ao recordar o meu nome, o meu sorriso, algumas das minhas palavras (tantas vezes disparatadas!), do coração que trago no peito, da força que me vem de dentro, dos caminhos que traço ora com arado ora só com as minhas mãos...e desta vontade imensa de espalhar sementes de ser.
nah! hoje não estou depressiva e muito menos dramática. Hoje estou assim num sossego de lume brando.
Entre o Luar e a Folhagem
Entre o luar e a folhagem,
Entre o sossego e o arvoredo,
Entre o ser noite e haver aragem
Passa um segredo.
Segue-o minha alma na passagem.
Tênue lembrança ou saudade,
Princípio ou fim do que não foi,
Não tem lugar, não tem verdade.
Atrai e dói.
Segue-o meu ser em liberdade.
Vazio encanto ébrio de si,
Tristeza ou alegria o traz?
O que sou dele a quem sorri?
Nada é nem faz.
Só de segui-lo me perdi.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
A Mulher Mais Bonita do Mundo
estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.
entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.
entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.
há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.
estás tão bonita hoje.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.
José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"
Subscrever:
Mensagens (Atom)









































