terça-feira, 20 de julho de 2010

Contemplo o que não Vejo




Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.
Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.


Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

quarta-feira, 7 de julho de 2010


"A vida só pode ser entendida olhando-se para trás.
Mas só pode ser vivida olhando-se para frente".

Kierkegaard

"Não acrescentes dias à tua vida, mas vida aos teus dias"

Harry Benjamim

terça-feira, 6 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

fado falado.

Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz
Voz inspirada de uma raça
Que mundo em fora nos levou
Pelo azul do mar
Se o fado se canta e chora
Também se pode falar


Mãos doloridas na guitarra
que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes e impacientes
Mãos desoladas e sombrias
Desgraçadas, doentias
Quando à traição, ciume e morte
E um coração a bater forte
Uma história bem singela
Bairo antigo, uma viela
Um marinheiro gingão
E a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude
Que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão
Da Senhora da Saúde

Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela
De todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho
Que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos
Debaixo da mesma cama

Pela janela da Emília
Entrava a lua
E a guitarra
À esquina de uma rua gemia,
Dolente a soluçar.
E lá em casa:
Mãos amorosas na guitarra
Que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo
Impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado
A guitarra a afagar
Como um corpo de mulher
Para o despir e para o beijar


Mas um dia,
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus
Que sofrer aquele
O luar bate nas casas
O luar bate na rua
Mas não marca a sombra dele
Procurou como doida
E ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado
Com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, levião
Um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha
O que resta de um cigarro

Lume e cinza na viela,
Ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela
A cinza no olhar dele
E o ciume chegou como lume
Queimou, o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio
Labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal
A imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou
Que jurou e mentiu
Correm vertigens num grito
Direito ou maldito que há-de perder
Puxa a navalha, canalha
Não há quem te valha
Tu tens de morrer

Há alarido na viela
Que mulher aquela
Que paixão a sua
E cai um corpo sangrando
Nas pedras da rua
Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem
e entendem sua dor
Mãos que não mentem
Quando sentem
Outras mãos para acarinhar

Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar
E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou
Essas bocas febris
Foi um amor que voltou
E a desgraça trocou
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida
De novo a surgir
Foi um amor que voltou
Que voltou a sorrir

Há gargalhadas no ar
E o sol a vibrar
Tem gritos de cor
Há alegria na viela
E em cada janela
Renasce uma flor
Veio o perdão e depois
Felizes os dois
Lá vão lado a lado

E digam lá se pode ou não
Falar-se o fado.

Aníbal Nazaré e Nelson de Barros

conheço-te.

Sei de ti…

Quantas vezes percorremos juntos
O mesmo caminho à procura da lua.
De mãos entrelaçadas
Com o espírito alegre
Rodeados pelo céu repleto de estrelas.

Sim, sei de ti!

sábado, 26 de junho de 2010


Tive pelo menos o privilégio de sentir. De experimentar sensações nunca antes sentidas e de mergulhar nelas sem medo.



As decisões às vezes não são fáceis mesmo sabendo que são melhores… A vida é assim mesmo, por vezes traçamos caminhos e nele passeamos esvoaçando alegres e alheios à realidade… mas é certo que ao seu devido tempo a realidade surge. Não cruel, não atroz, apenas surge.


Resta caminhar de rosto alegre pelo que se viveu e na esperança e expectativa de dias ainda mais felizes com mergulhos ainda mais profundos, porque afinal e ao que parece o ciclo repete-se… Bem, pelo menos assim espero :)

domingo, 13 de junho de 2010

Leva contigo o aroma...
É sempre tão mais fácil chegar...
Mas sem a despedida não haveria o encontro...

terça-feira, 8 de junho de 2010

É melhor acender uma vela que amaldiçoar a escuridão.
Confúcio

quarta-feira, 2 de junho de 2010


Tudo o que nos ata, não nos deve prender...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

próximas paragens


Gerês



um refúgio

 Castelo de Melgaço


Quinta de Santo António

os nossos recantos

Restaurante Apeadeiro - Sintra


Colares - Sintra


Azenhas do mar - Sintra

 
Centro - Sintra


Quinta da Regaleira - Sintra


 
Hotel Arribas - Sintra

quarta-feira, 19 de maio de 2010

eu também já tive assim um espelho
quando tive de reaprender a olhar-me...

sexta-feira, 14 de maio de 2010


férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias,...

pleeeeeeease...

Como eu gostaria de estar aqui... estou tão cansada... preciso de férias...

mas hoje é

SEXTA-FEIRA!!!

YUPI!!!

terça-feira, 11 de maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010


Apetece-me um pouquinho...
Exactamente como hoje me sinto...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

há momentos assim.


Realmente a vida não pára de me surpreender.
Por vezes pensamos estar mergulhados na solidão e, de repente, constatamos que estamos rodeados de boas pessoas e que a solidão apenas mora no nosso peito.
Como gosto de sorrir! De rir às gargalhadas! De tentar abafar o riso! Sim, tive um dia alegre!

Eu até mereço! :-)

terça-feira, 4 de maio de 2010


Hoje acordei assim!

Forte! Luminosa! Radiante!

EU!!!


Hoje, depois de ontem e antes de amanhã

Às vezes “obrigam-nos” a dissolver sonhos…mas que importa?
Poderei sempre sonhar que já os alcancei.

terça-feira, 6 de abril de 2010

para aquele dia especial...

estou "aqui"...


Hoje perguntaram-me: onde gostarias de estar neste momento? Sorri…
Parei. Reflecti.
Aqui! Exactamente aqui! Onde mais?
“Aqui” é o lugar exacto onde deveria estar neste momento.
Sem o “antes” eu não estaria “aqui”.
Sem o “aqui” como poderá haver o “depois”?

Definitivamente gosto de laços! Dos laços que unem. Dos laços que apertam. Dos laços que nos tornam um só. Gosto! Dos que nos dão alegria. Dos que nos forçam a sorrir.
...e gosto destes!

quinta-feira, 25 de março de 2010

já me habituei ao teu silêncio.

reencontros. continuo à procura de mim.

hoje apeteceram-me flores.

a vida também tem espinhos com aroma a rosas.


Vem!
Agarra a minha mão.
Sempre disseste que seríamos mais fortes.
Repara na brisa , na grama, nos pássaros que cantam
Nas rosas.
As rosas...
Vês! Até as rosas são colhidas.
Não lhes valem o encanto
Nem o aroma
Nem a beleza no jardim.
Afinal, não precisamos dar as mãos.

Delicioso!

quarta-feira, 24 de março de 2010


BONS SONHOS!!! :)



Tomara que todos os dias fossem assim... encontrar nos pormenores motivos para sorrir!

terça-feira, 23 de março de 2010

um pouco de sentir.

M. (ainda me lembro da ansiedade que senti por querer encontrar-te um nome…M…),

Conheci-te numa fase muito complicada da minha vida… Vieste dar-me ânimo, alegria, vieste despertar em mim o desejo de amar e de querer sentir-me verdadeiramente amada… Nos piores momentos fizeste-me (quase) sempre sorrir, amparaste alguma lágrima que teimosamente brotou, dançaste e cantaste comigo, rimos tanto juntos!

Encontrámos um no outro a esperança de sermos felizes, pois na verdade foi isso que sempre nos uniu. Ver no outro o confidente, o amigo, aquele que nos entende, que nos desculpa,… Vimos renascer no coração a oportunidade de partilha. Vimos no outro o tanto que pouco ou nada tínhamos tido e que acreditávamos existir. Assim, tudo parece perfeito. E seria. Seria perfeito se o sentir não nos atraiçoasse. Quisemos tanto dar tudo o que possuíamos quando na realidade nunca tivemos nada…sabes, nada é nosso.

Entendo-te tão bem que nem consigo entristecer-me… Um dia perguntamos um ao outro qual seria o significado do nosso encontro. Lembraste? Talvez hoje tenhas a resposta. Sempre disse que ela surgiria. Estamos um com o outro para nos suportarmos! Para nos ajudarmos! De outro modo, caminhar em frente teria sido muito difícil… Tu sabes.

Os nossos encontros foram crescendo e transformando-se de desejo em alegria, de alegria em querer, de querer em mansidão… E, no entanto, eu quero mais. Parece-me que o que tenho ainda não basta. Não pretendo ter-te, pois nunca de tive. Não me pertences, nem quereria que fosse de outro modo. Contigo sonhei. Tornei o meu mundo mais colorido. Despertaram-me desejos de ir mais além. De abraçar outros mundos. Contigo fui sempre eu. Simples. Clara. Objectiva. Nunca me escondi. Não pretendo fazê-lo.

Certo é que sempre falamos a mesma língua. Sempre entendemos no outro as palavras meias ditas. Os sentimentos meios confusos. Sempre! Até agora… agora eu quero voar outros céus nas tuas asas. Quero contemplar o belo. Aquele belo que me ensinaste a ver. Quero fazer surgir em mim amor em plenitude. Mas não basta o meu querer… O teu querer leva-te em outras direcções, a querer voar noutros céus.

Vai! Vai livre e confiante de que noutros céus encontrarás o que procuras, porque afinal o Amor é livre e desprendido.

Sim, agora entendo porque não manifestas o que sentes. Não o fazes porque não sentes. E sabes o que eu gostaria de ouvir, mas não tens força suficiente para o dizer sem o sentir. Adoro-te por nunca o teres dito.

Guarda em ti o pouco que te dei: o melhor de mim.

adeus.

gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.


Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.

Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugénio de Andrade

a mentira.

Se há algo que dói, que dói muito, é a mentira! Não a consigo suportar! Tenho pena, mas não consigo! Não consigo voltar a olhar nos olhos e ver o mesmo. Não consigo aceitar mais uma palavra. É algo que dói! Dói mais que o amor…à qual dificilmente sobrevive.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Por vezes sinto medo! Sinto medo que a vida me leve a doçura do meu olhar sobre as coisas. Me leve o sorriso. Me invada a alma e nela faça cair a noite. Uma noite sem lua, sem estrelas, sem céu… E nela repouse apenas o vazio.

segue o sonho. (por Mafii)


"Mesmo que te vás
Ficas para mim
Mesmo que me faltes
Estarás aqui,
E sou quem te espera
Quem por ti a alma condena.
As minhas palavras não ouves
Nem o que sinto conheces,
São só sorrisos em tempestades
Por todas essas vezes que em mim renasces.
Mesmo que não fiques
Estende-me a mão
Não esperes que eu suplique
Só te falo ao coração.
Guiam-te os sonhos
Que de mim te afastam,
Levam-te os sonhos
Perco-te o rasto."


Mafii in Não te consigo inventar


(querida, copiei-te porque me tenho sentido exactamente assim...)
Na longa espera...


Cuida de mim, cuidas?
Sinto-me ir no vento que sopra
Solta
Sem saber onde me levará…
Sem saber quais os caminhos
Quais os percalços
Sem quase querer
De um querer…
Procuro na estrada do sentirquemsou
E desvaneço…
Vou solta…
Vou na paz da solidão…
A vida obriga-me a ir
Sem quase querer
De um querer…

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